Enfim. Sou novo. E de novidade, Trago-o novo, de novo.

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Enfim. Sou novo. E de novidade, Trago-o novo, de novo.

Mensagem por luizinxz em Sab Mar 07, 2015 10:09 pm

NECÍTRAGUF
Algo, ainda me chama. Parei de tomar os meus remédios. Parei de fazer pouco caso do espetacular programa de quiz da madrugada. E parei de julgar os filmes autobiográficos.
O doutor me disse que o primeiro dia sem sua ausência me causaria uma espécie de tédio – tédio que levaria a alguma depressão aguda. Tudo ainda continua na mesma cor, nossa cidade ainda é cinza. Eu ainda não sou cinza. Prefiro – diferente de todos – olhar pela janela. Sempre sonhei que um dia toda essa máscara cairia abaixo, toda essa obsessão. Então... Aguardo tecendo uma toalha de rosto com a máquina velha de meu avô. Teço não pelo fato de não existirem sexismos , teço porque ainda sonho em ser alfaiate.
Ainda pela janela observo os carros, velozes – como o som - E eu apenas calculo a potência de seus motores – quando não me assusto – com o tremor de minhas janelas.
Agora tudo complica, o tecido rasgou. Então eu passo a pensar em Janira – e como seu nome jamais encaixaria em um texto. Jamais? Penso em seus lábios tortos e seus dentes amarelados, penso nela lambendo envelopes e deixando marcas sujas, sabores escrupulosos de horários de almoço, e finas camadas de papel de cigarro recém-queimado. Penso nela escrevendo trabalhos – ‘’trabalhos’’ – no computador, com seu próprio nome em sua mente - Será que toda vez que ela escreve, pensa em mudar. Os dedos pensam mais que a cabeça, e acabam travando. ‘’Meu nome é feio pra mim? Ou pra qualquer um?’’ Eu diria que feia é Janira, seu nome completa seu caráter. Ela não é feia por usar roupas velhas, ou não ter cabelo liso, ou não ser loira, ou não tem bunda e seios fartos. É feia porque ainda acha que precisa, deliberadamente, daquilo que quando ela olha julga, mas julga querendo. Janira quer seus peitões, Janira quer seus lábios carnudos, Janira quer o poder de ganhar uma bolsa integral oferecendo apenas sexo em troca. Mas pouco me incomoda isso em Janira. O que me incomoda é seu nome – e toda a inutilidade por trás de eu ainda ter devaneios no meio da tarde.
Passei a tarde toda, sem sentir falta de meus remédios (inúteis).
Por isso, ainda quero parar de olhar.
Ou, acompanhar.
O compasso.
Não foi valsa nem fumar maço.
De cigarro ou de... Qualquer.
Com o pano enrolo meu punho.
Esquerdo, pois sou de outro mundo.
Farei em pedaços.
O vidro
Em estilhaços.
Agora tenho vista panorâmica.
Sem
Compass
o.

luizinxz

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Data de inscrição : 07/03/2015

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